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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

fragmentos sobre a cultura II

estava fazendo a leitura matinal hoje cedo quando a casa foi invadida pelo som que anuncia a entrada do navio no canal do rio itajaí. como de costume, e de acordo com as regra de navegação, o navio emitiu um som longo de apito. peguei a maquina fotográfica e fui registrar a imagem que emitia aquele som já familiar mas que para mim sempre é uma forma de lembrar que estou às margens do oceano atlântico, na foz de um rio importante. são os sons de minha aldeia como dira talvez o fernando pessoa. o som do navio serve também para lembrar que estamos numa das regiões fornteiriças e que isto é um traço cultural da modernidade, assim como a passagem deste navio aqui tão perto é um traço inexorável do capitalismo transnacional que carrega em seu bojo diversas nacionalidades e riquezas transportadas às custas de muito trabalho, alguma exeploração e em nome de grandes conglomerados financeiros que ocupam nossas margens e carregam silenciosamente nossa riqueza. lembrei, então, de uma parte do livro O Local da Cultura (UFMG: 2007) do Inglês Hommi K. Bhabha, na qual é citado o trabalho do americano Allan Sekula chamado Fish Story. neste trabalho o fotórografo regsitrou imagens de sete grandes portos pelo mundo. Bhabha chama atenção para a metáfora naval que o fotógrafo utiliza para apresentar este trânsito das culturas do mundo globalizado e containerizado. acredito que cai como uma luva para nosso cotidiano entre dois portos.

"As coisas estão mais confusas agora. Um disco arranhado berra o hino nacional norueguês por um alto falante da Casa do Marineiro, no penhasco acima do canal. O navio-container, ao ser saudado, desfralda uma bandeira de conveniência dasBahamas. Ele foi construído pr coreanos que trabalham por longas horas nos estaleiros gigantes de Ulsan.  A tripulação mal paga e insuficiente poderia se salvadorenha ou filipina. Apenas o capitão ouve uma melodia familiar." ( Allan Sekula in Fish Story). 


Navio fotografado da margem de navegantes (estibordo para os marinheiros)


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Panorama Jaraguá de Literatura

Nos dias 12, 13  e 14 de novembro aconteceu em Jaraguá do Sul o 1º Panorama Jaraguá de Literatura. Coordenado pelo escritor Carlos Henrique Schroeder, o evento reuniu alguns escritores e produtores para uma conversa sobre os destinos da literatura, os problemas insolúveis da poesia e ao fim e ao cabo, para alimentar o desejo pela leitura.


Da esq. para dir., Carlos Henrique Schroeder, Cristiano Moreira e Marco Vasques

  Fui convidado para uma conversa com o poeta Marco Vasques, sobre o tema "O que é poesia". 
Sabemos que é uma pergunta irrespondível pois a poesi tem como uma das suas características principais, a disseminação dos sentidos. A poesia, costumo dizer, é inalcansável. O os poetas fazem é escrever versos, poemas. Esses verso funcionam como espécie de estelas ou colunas que sustentam a poesia. Sustentam somente, mas a poesia paira sobre estas colunas e nós jamais a encontraremos. Sabemos dela, mas o encontro é o fim. neste caso a poesia é tão avassaladora quanto a morte que só sabemos quando esta chega, mas assim já não podemos testemunhar a respeito.

Mas o que importa ainda mais nisso tudo, é que o Carlos Schroeder, com apoio do poder público e das leis de incentivo à Cultura, iniciou a algum tempo um trabalho de formação com vários jovens escritores, ou melhor, jovens que queriam ser escritores e encontraram maneiras de ler e trocar estas experiências.

Em Jaraguá do Sul, exitem fundos e os editais para cada área específica, ou seja, o produtor selecionado não precisa mais captar junto às empresas, recebe o dinheiro direto do fundo. Assim, tanto produtores, artistas e município ganham com uma crescente produção cultural.

Na semana passada outro escritor e amigo, Dennis Radünz, conseguiu, depois de um processo trabalhoso, aprovar o fundo municipal de cultura de Florianópolis, um feito notável já que se trata da capital, lugar com um grande número de produtores culturais.

Navegantes está caminhando para este processo. A Fundação Cultural conseguiu este ano implantar a Lei municipal de incentivo à cultura com um valor de R$ 150.000,00 distribuidos em 17 projetos. A maioria ainda não conseguiu captar. Isto é devido à pouca experiência dos produtores e dos empresários. Muitas empresas enquadradas no simples nacional não sabem como operar o desconto de um apoio a lei de incentivo. Espero poder publicar em breve estes esclarecimentos.

Vamos caminhando, dias 25 e26 de novembro teremos a Conferência Municipal de Cultura.